Eldorado

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O processo de crescimento urbano do município de Contagem é determinado pelo pujante Bairro Cidade Jardim Eldorado, aprovado em 1954. A medida do crescimento industrial do município, primeiramente pela proximidade e influencia da Cidade Industrial e posteriormente pela criação do Centro Industrial de Contagem (CINCO), nos anos 70, o Bairro se expande e junto com o crescimento das indústrias surgem novos bairros transformando a região no local de referência para a vida pública da cidade. Fator bastante marcado pelo centro comercial e de serviços que vai se instalando ao longo da principal via arterial do Bairro e da cidade, até os anos 90, a Avenida João César de Oliveira.

 

A criação do CINCO provoca a expansão urbana da região Sede com o crescimento no sentido da região Eldorado, onde as duas regiões criam uma articulação urbana e econômica central ao desenvolvimento da cidade de Contagem, que por um tempo foi a expressão do desenvolvimento urbano industrial de Minas Gerais.

 

Já nos anos 80 surgem outros centros ou distritos industriais em Minas e a explosão urbana toma a forma de conurbações metropolitanas, como é o impacto que se observou com a instalação da Fiat Automóveis em Betim, o distrito industrial de Santa Luzia e o de Vespasiano, nos anos 80.

 

É preciso destacar que essas articulações urbanas ocorrem em momentos de muita repressão e autoritarismo, portanto o desenvolvimento urbano é marcado por traços de conservadorismo expressos na ausência de espaços urbanos apropriados para classe trabalhadora, restando-lhes as favelas e os loteamentos clandestinos sem infraestrutura. As indústrias atraem a força de trabalho, mas as cidades deixam de responder as necessidades dos trabalhadores.

 

Assim o Eldorado e a Cidade Industrial de Contagem são o berço das lutas operárias e das lutas de moradores de bairros e favelas por melhorias urbanas e acesso a terra, nos anos 70, 80 e 90. A região Eldorado é a mais populosa da cidade com 114.843 habitantes sendo 19% da população de Contagem, segundo o censo do IBGE de 2010. Mas que estabilizou o seu crescimento, com uma taxa de 0,05% a.a., embora ainda disponha de alguns focos de vazios urbanos. É a regional com maior número de pessoas do sexo feminino 52,6%.

 

Apresenta um número aproximado de 34 localidades entre Bairros e Favelas, das quais 13 são tidas como Áreas Especiais de Interesse Social, ou seja, assentamentos precários que se estima possuírem 4.971 domicílios e uma população de 18.441 habitantes. No censo demográfico do IBGE, 2010, são considerados como aglomerados subnormais 9 localidades com 3.581 domicílios e uma população de 12.120 habitantes.

 

Na observação e manifestação registrada durante as atividades de escuta dos moradores o problema crucial apontado refere-se as dificuldades de acesso a região em função do congestionamento de trânsito que ocorre na região do espaço comercial denominado “Itaú Power Shopping”. Outro destaque foi o elevado preço da passagem do transporte coletivo. Quanto a aspectos afetos diretamente a moradia a elevação do preço dos imóveis e dos aluguéis, que em outras regiões também é apresentado, nesta região parece ser mais grave pela valorização relacionada a localização dos imóveis.

 

O investimento na produção habitacional na região por parte da iniciativa privada está direcionado para segmentos populacionais de maior renda, o que no geral acentua a segregação sócio-espacial da região, como é comum nas cidades brasileiras. O elevado preço da terra interfere nos processos de urbanização das favelas, seja para obter moradia temporária, transitória, seja para assegurar o reassentamento no próprio local ou nas imediações.

 

A partir do PMRR - Plano Municipal de Redução de Risco e das vistorias que antecedem o período chuvoso, a Prefeitura removeu preventivamente 140 famílias, nos últimos 7 anos. Porém as remoções ocorridas pelas intervenções de saneamento integrado nas obras de fundo de vale na Vila Jardim Eldorado – Avenida Santa Isabel – e no Aglomerado Buraco da Coruja foram bastante significativas, por volta de 180 famílias, onde a maioria optou pela indenização de benfeitoria e poucas aguardam no Programa Bolsa Moradia, para posterior reassentamento por produção de nova unidade habitacional, através do PAC Habitação.

 

Aquelas que optaram pela indenização de benfeitoria, manifestaram ser por descrença no processo de reassentamento, dado o longo tempo de espera, ou por rejeição a ideia de unidades multifamiliares. A região Eldorado possui duas Vilas em processo de urbanização integrada, a Vila Beatriz, com recursos financeiros do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS), orçamentos da União de 2008 e 2009 e a Vila Paris, com recursos do PAC 2 e, portanto com reassentamento das famílias pelo PMCMV 2.

 

Por outro lado a região irá acolher o reassentamento das famílias do PAC do Córrego do Ferrugem, situado na Região Industrial, onde as famílias residem em Vilas que ficam na divisa das duas regiões. O Projeto de requalificação Urbana e Ambiental e de Controle de Cheias do Córrego Ferrugem está em execução e removerá 1.208 famílias, a serem reassentadas em 7 áreas da região Eldorado