Riacho

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A Região Administrativa Riacho é a mais recente, criada pela Lei Complementar nº. 60 de 2009. A ocupação de seu território é das mais antigas e foi determinada pela proximidade com a Cidade Industrial e com o Bairro Cidade Jardim Eldorado. Localizada ao sul do município de Contagem, faz divisa com os municípios de Ibirité, Betim e Belo Horizonte e, é fortemente impactada pela BR-381, que liga a Capital a São Paulo e pela MG-50, que liga a região metropolitana ao Triângulo Mineiro, passando por Betim.

 

O planejamento da Cidade Industrial sem prever zoneamento e ocupação para a moradia dos trabalhadores, como já mencionado, fez surgir vários bairros no seu entorno como o Inconfidentes e o Riacho das Pedras, típicos bairros operários que criam uma tendência para a ocupação da região e na formação dos demais bairros que vão se constituindo em toda a região.

 

Os moradores do Bairro Inconfidentes com apoio da Igreja Católica ocuparam lugar de destaque na organização da greve da categoria metalúrgica de 1968, fator que irá persistir nas lutas organizadas dos anos 70 e 80 com foco no acesso a educação e a moradia. A região possui diversos centros comerciais como o do Bairro Riacho das Pedras, na região da Rua Mantiqueira e no Bairro Inconfidentes, onde se localiza o Mercado Central de Contagem, bairro também marcado pela existência de empresas de transporte e galpões industriais como suporte a Cidade Industrial e ao Distrito Industrial do Bairro Novo Riacho.

 

No Bairro Novo Riacho a partir da instalação, nos anos 80, do primeiro hipermercado na cidade – Carrefour – e o atacadista Makro, se constitui um significativo centro comercial que traz um novo dinamismo econômico e se expande, impactando o próprio bairro e também o Bairro Flamengo, no lado oposto da BR-381. A luta por moradia nos anos 70, 80 e início dos anos 90 na cidade, parte do Velho Riacho das Pedras quando o operariado começa a ocupar o outro lado das margens do Córrego Riacho intensificando a ocupação e formação do Bairro Novo Riacho, paralelo a ação do BNH que atuava com a construção de diversos Conjuntos Habitacionais, como o Lemp, Tijolinho, Columbia e outros.

 

A atual Avenida Francisco Firmo de Mattos é o Córrego Riacho canalizado que implicou em remoção parcial de várias favelas. Assim a região na época é cenário do surgimento de favelas e da produção habitacional do BNH inacessível aos trabalhadores de menor poder aquisitivo. Em 2010, a população da Região Riacho é de 74.775 habitantes, representando 12,4% da população de Contagem, com uma taxa de crescimento 0,75% a.a.

 

Trata-se de uma das regiões com maior ocupação do território, que gradualmente está se verticalizando e com um histórico de coabitação significativo nos bairros mais antigos e típicos do trabalhador qualificado, que constrói nos fundos do lote para complementar renda ou acolher a expansão da família. A região possui apenas 10 Bairros, dos quais 3 enfrentam problemas por se localizarem na divisa do município ou parte em um município e parte em outro, acarretando os transtornos típicos das regiões de divisa. Quanto as AIS1 é apenas uma e pequena: Vila Vera Cruz (Lempe), que poderiam constituir apenas uma AIS 1, desconsideradas pelo IBGE como aglomerados subnormais.

 

A comunidade é objeto de intervenção do PAC 2, com obras de saneamento ambiental que implicam em remoções e reassentamentos. O reassentamento das famílias está sendo viabilizado pelo Programa Minha Casa, Minha Vida 2, com a Prefeitura desapropriando área contigua a Vila. Na observação e manifestação registrada durante as atividades de escuta dos moradores, vários aspectos são apontados interferindo na qualidade do morar na região, a saber: o impacto da verticalização, agravado nos últimos cinco anos; a falta de transporte coletivo para outras regiões da cidade, o longo intervalo entre a circulação de um ônibus e outro e a precariedade dos pontos de ônibus; a alta dos aluguéis e dos imóveis, provocando mudanças para regiões mais periféricas; famílias pré inscritas na Prefeitura, no Programa Minha Casa, Minha Vida sem retorno da possibilidade de atendimento, questionamento veemente dos critérios de seleção para o Residencial Vista Alegre; precariedade ou inexistência de drenagem pluvial.

 

Por último, a denúncia do descaso público com os históricos Conjuntos Habitacionais Tijolinho e Columbia que enfrentam problemas diversos como ocupação das áreas remanescentes e comercialização de áreas condominiais. Os cidadãos presentes à audiência pública regional afirmaram que os moradores dos referidos conjuntos pouco podem fazer dado o número de apartamentos ocupados, há décadas, sem que o agente financeiro proponha solução para o problema.

 

Afirmam que, no caso do Conjunto Tijolinho, os “invasores” totalizam algo em torno de 30 a 40% das unidades habitacionais, outros contestam afirmando que a questão não é tão volumosa e concentra-se na parte baixa do Conjunto. Outro foco de questões, para este Conjunto são as construções irregulares sem fiscalização da Prefeitura, trata-se de ampliação dos apartamentos térreos, construções nas áreas de estacionamento, primeiramente como garagem e posteriormente com edificação de moradia no pavimento superior.

 

Foi realizada consulta para verificar a pertinência do Conjunto Tijolinho, em sua totalidade, vir a constituir uma AIS1, porém a demanda não foi formalizada. A proposição é permeada por uma busca de parceiros para junto aos moradores discutir formas de superar os problemas postos, fundamentalmente ocupação de áreas condominiais ou remanescentes.